23/03/2003 - Enduro em Barra Bonita (SP)
                                                                                 
por Sávio "Cupim"


       Uma prova fantástica! Assim defino o enduro de Barra Bonita neste domingo. Esta foi a 2ª Etapa do Paulista de Regularidade.
       A cidade é simplesmente maravilhosa, um clima muito bom, organizada, super limpa, um povo hospitaleiro, ótimos restaurantes e lanchonetes. Para quem não conhece Barra Bonita vale o toque: uma excelente opção de lazer para fugir num final de semana.
       Estava super ansioso, pois era a primeira vez que entraria numa prova com boas perspectivas de resultados. Estava fisicamente bem preparado, a moto, com motor e pneus novos, suspensão bem configurada, ou seja, nada poderia dar errado. Mas deu! No sábado a noite descobri que meu roadbook estava com o mecanismo elétrico quebrado, teria que rodar a planilha manualmente... Sem problemas, não era assim que se fazia antigamente ?
       Estavam todos muito agitados, era visível a preocupação - pois numa região onde quase não se avistam morros, onde estariam os enrroscos ? Uns falavam que a prova seria dentro de canaviais, outros que seria passando por córregos da região, nunca vi tanta curiosidade. Outra preocupação era o consumo da moto, pois o neutro de reabastecimento era com quase 80 km de prova. Como minha moto nunca tinha feito 80 km com um tanque, optei por levar combustível extra (meio litro), mas acabei não usando.
       A cidade preparou uma festa para os pilotos no kartódromo da cidade. Teve até show com uma banda local para distrair o público, que era intenso e bem variado, de crianças até idodos curiosos com aquelas máquinas barulhentas e coloridas. O locutor do evento era um show à parte.
       Após a largada promocional lá fomos nós, cerca de 120 pilotos, para o local da largada técnica. Logo no começo um pequeno acidente entre dois pilotos que se tocaram numa pequena subida, um deles deslocou o ombro e, para a surpresa de todos, colocou-o no lugar e continuou na prova.
       No começo tudo fácil, canaviais e referência bem próximas. Mas com 15 minutos de prova eu já tinha me perdido, entrei no lugar errado. Não entendi, pois tinha aferido meu navegador duas vezes para ter certeza que estava certo e ele me informou uma distância incorreta para uma entrada à esquerda. Acelerei para tirar a diferença e me diverti muito andando a até 100-110 km/h naquelas estradas de terra com muita areia. Em pouco tempo tirei metade do tempo perdido. Uma descida forte, mas não muito difícil, levou alguns pilotos para o chão. Ali consegui me recuperar, esqueci os freios e deixei a moto descer.
       Depois de algumas estradinhas e algumas trilhas chegamos a uma subida de pedra, bem técnica, um pouco lisa e bem travada. Eu era o número 68, acho que do número 35/40 para trás estavam todos parados esperando o lugar limpar um pouco, algumas motos quebraram deixando o trecho ainda mais complicado. Ficamos parados quase 30 minutos. Este trecho foi um dos grandes responsáveis pela grande quantidade de pontos perdidos pelos pilotos durante a prova.
       Passando a subida de pedras mais algumas trilhas e estradas até o neutro de reabastecimento, quando cheguei no posto vi o estrago que a subida causou na prova, poucos pilotos com numeração acima de 50 estavam lá. Ou seja, uns 70 pilotos tinham ficado para trás até aquele momento.
       Pela primeira vez contei com apoio nesta prova. Minha esposa Helena, junto com a Karen, esposa do Pikachu, faziam nosso apoio, e posso garantir uma coisa, prova com apoio é muito mais gostoso.
       De volta à prova, mais estradinhas, mais cana e mais trilhas. A navegação passou a ser muito importante, pois as referências estavam precisas, mas bem próximas. Uma outra subida de pedras se tornou um problema com todos querendo subir ao mesmo tempo - o Dú Sachs gritava para todos: - Vocês não são companheiros, não? Se ajudem! Ôps... Acelerei forte e fui embora, como é bom contar com motor e pneus novos.
       Logo depois minha planilha se enroscou dentro do roadbook e partiu-se. O jeito foi continuar mochilando outros pilotos. Numa dessa perdi um laço e me adiantei 20 minutos, segui um piloto numa DRZ400, mas só depois descobri que ele era de outra categoria e estava saindo do laço. Parei, o jeito foi esperar o tempo passar, quando o Pikachu passou por mim até estranhou, ele tinha largado na minha frente e eu estava 15 minutos na frente dele.
       Aproveitei o tempo para curtir o lugar, uma mata fechada com o ar puro. Depois resolvi avançar mais um pouco para encontrar um outro piloto perdido que tinha parado mais a frente, e dei de cara com um PC chegando adiantado, o que me fez perder precisosos pontos. Perdi ali o 3º lugar na prova, mas aproveitei o tempo sobrando pra consertar a planilha.
       Dali até o final eram só estradas onde me diverti muito acelerando forte, curtindo as curvas e saltando as lombas existentes.
       A organização da prova está de parabéns, a planilha estava 100%, o roteiro muito bom, mas talvez um pouco mais de trilhas e menos estradas teria sido melhor. A apuração e premiação sairam rapidamente.



Uma outra visão da prova...
                                             
por Pikachu

       Preocupação. Isso era o que passava pela minha cabeça quase todo o tempo antes da largada. Afinal de contas, essa seria a minha primeira prova depois do acidente que sofri em Dezembro/2002 (quando rompi um tendão do ombro), que me deixou quase 3 meses sem andar de moto. Não sabia se iria aguentar terminar a prova, pois estava despreparado fisicamente e também não sabia se meu ombro iria doer demais e me fazer abandonar a prova. Chegando em Barra Bonita, vimos que o tempo estava muito bom, não havia indícios que iria chover. Ótimo. Pegamos o material, fomos jantar e arrumar nossas coisas para a prova no dia seguinte.
       A largana foi no kartódromo da cidade e, logo na largada, tomei um susto do meu navegador, que diparou o segundo trecho ao invés do primeiro. Nada demais, acho que a "ferrugem" deixa a gente meio apavorado... hehehe A prova começou com muitas estradinhas de terra, sem dificuldade alguma. Logo chegou um descidão grande, no meio do mato, para descer por dentro de uma cava. Ao redor, muito mato, mal dava prá ver o chão. Muitos buracos, já comecei a sentir o impacto no ombro machucado. Fui descendo com calma, apesar de tentar não ficar atrasado. Foi aí que "ploft" ! Caiu um cara na minha frente. Tive que esperar o cara levantar para poder passá-lo. Tome atraso no PC lá embaixo...
       Tocando em frente, mais estradinhas de terra, quase sempre dentro de canaviais. Aliás, como tem cana naquela terra ! Chegamos na primeira grande trilha. Um single-track no meio da mata, com direito a muitas "guidõezadas" nas árvores. No meio da trilha, um enrosco: uma subida um pouco íngreme, mas com duas pedras no meio dela, estrategicamente colocadas pela natureza para atrapalhar a vida dos pilotos. Tinha neguinho desesperado ali. A pedra não deixava você subir de uma vez; vc precisava passar a primeira, virar a moto, passar andar um pouco e virar de novo para contornar a segunda. Com um pouco de calma, dá para fazer tudo na boa. Mas o desepero fez um monte de gente ficar apinhada ali, inclusive no meio do mato, quando tentaram desviar o caminho. Tive que ajudar um cara de DRZ-400 que estava na minha frente, o que já me deixou cansado. Aí passei minha moto e segui adiante. O cansaço já apareceu e me deixou com os braços um pouco fracos. Continuamos pela trilha por mais algum tempo, a trilha foi bem longa. Saí de lá com quase 15 minutos de atraso...
       Pegamos mais estradas, quanto tivemos que descer uma pequena pirambeira ( daquelas que não dá para parar até chegar no fim) e atrerrisamos num rio. Aí percorremos por dentro dele mesmo. Um rio raso, mas completamente cheio de pedras. Não andávamos no chão, andávamos o tempo todo sobre as pedras. Pobre ombro... No caminho, encostei num piloto da Over 40. Putz, o cara me derrubou. Não de propósito, mas que eu caí, eu caí. Abraço, Fleury ! hehehe Andamos bastante dentro do rio e sempre atrasado; tinha que andar rápido sobre as pedras o tempo todo. Doeu... Prá ajudar, não percebi uma diferença de odômetro e saí do rio no lugar errado e tive que voltar para trás e pegar o caminho certo. Mais alguns pontinhos...
       Depois pegamos mais algumas trilhas, mas nada muito complicado. O pior foi estar andando numa estradinha de terra e não perceber que a média baixou muito. Como estava distraído, não ouvi meu Compass apitar que estava adiantado e acabei tomando 36 pontos de penalidade por isso. Tá valendo, aprenda a ficar concentrado na prova... hehehe
       Cheguei no neutro no tempo e encontrei meu apoio me esperando. Gatorade no CamelBak, gasolina na moto e pronto para a segunda parte. Eu estava preocupado com a falta de combustível, pois seriam 78 Km até este neutro, mas no final das contas até sobrou um pouco de gasolina no tanque... graças à Deus ! hehehe Logo chegou o Sávio feliz da vida, pois não estava vendo muitos pilotos da sua categoria por lá e por ter passado muito bem em todos os enroscos das trilhas. Ótimo !
       Saí para a segunda metade da prova com um pouco mais de confiança, pois estava resistindo bem até ali. A prova seguiu fácil no começo também com muitas estradinhas de terra. Pegamos algumas trilhas, mas nada muito pesado. O único enrosco foi uma subida de pedras redondas e soltas. Prá ajudar, a subida começava à partir de um cotovelo. Se não tivesse ninguém no meio, era só acelerar e subir no embalo. Só que chegei lá com um monte de gente enroscada, ninguém ajudando ninguém. Abriu uma brecha e enfiei minha moto no bolo. Óbvio que ela patinou e não consegui subir. Empurrei um pouco e o pessoal do Kaipiras chegou e deu uma mãozinha prá todo mundo. E toma mais uns 7 minutos de atraso...
       Entramos em outra trilha, que não era muito pesada, mas que fez alguns pilotos ficarem travados por inexperiência ou por pressa mesmo. Encontrei o Arena parado, com a vela queimada. Que vergonha, um piloto Master andando sem absolutamente nada de ferramentas... hahaha Dei minha pochete para ele e saí batido, para não perder tempo. Entramos em alguns laços, mas tudo tranquilo. Aliás, encontrei o Sávio na minha frente, na saída de um laço. Obvio que ele estava errado, já que sua numeração era bem maior do que a minha. Gritei prá ele voltar para trás e entrar no laço, mas não vi o que ele fez. Ainda bem que não parei para conversar, pois havia um PC a poucos metros dali...
O que judiou nesta prova foi meu ombro, que doía em todas as descidas com erosões ou pedras que nós pegávamos. Isso estava me atrapalhando bastante, pois o medo de cair em cima do ombro acaba tirando a concentração... Mas tudo bem, eu já estava conciente que eu não estava bem e que o importante era terminar a prova. E foi o que fiz. O final da prova foram só estradões, com média gostosa para andar, até chegarmos de volta à cidade.
       A apuração foi excepcionalmente rápida, nunca vi nada igual. Parabéns à organização, esperamos que todas as provas sejam rápidas assim, pois nos ajudam muito, podendo voltar para casa relativamente cedo...
       No final das contas, a surpresa: fiquei em 3º lugar na minha categoria ! Caramba, eu esperava um 8º lugar, isso foi excelente ! O Sávio também se deu bem e ficou em 5º lugar. Se não tivesse perdido 2 PC, acredito que estaria entre os 3 primeiros. Um outro amigo do Guarujá também foi bem na Nacional, levando o troféu de 3º lugar. Parabéns à todos !
       Agora é só esperar o Enduro de Botucatu, que serão doi dias de prova em meio a uma região de muuuuuuuuuitas pedras....
     
Quer ver algumas fotos ? Clique aqui !    

Volta