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Uma prova fantástica! Assim defino o enduro de Barra Bonita neste domingo.
Esta foi a 2ª Etapa do Paulista de Regularidade.
A cidade é simplesmente maravilhosa, um clima muito bom, organizada,
super limpa, um povo hospitaleiro, ótimos restaurantes e lanchonetes.
Para quem não conhece Barra Bonita vale o toque: uma excelente opção
de lazer para fugir num final de semana.
Estava super ansioso, pois era a primeira vez que entraria numa prova com
boas perspectivas de resultados. Estava fisicamente bem preparado, a moto,
com motor e pneus novos, suspensão bem configurada, ou seja, nada poderia
dar errado. Mas deu! No sábado a noite descobri que meu roadbook estava
com o mecanismo elétrico quebrado, teria que rodar a planilha
manualmente... Sem problemas, não era assim que se fazia antigamente ?
Estavam todos muito agitados, era visível a preocupação - pois numa
região onde quase não se avistam morros, onde estariam os enrroscos ?
Uns falavam que a prova seria dentro de canaviais, outros que seria
passando por córregos da região, nunca vi tanta curiosidade. Outra
preocupação era o consumo da moto, pois o neutro de reabastecimento
era com quase 80 km de prova. Como minha moto nunca tinha feito 80 km
com um tanque, optei por levar combustível extra (meio litro), mas acabei
não usando.
A cidade preparou uma festa para os pilotos no kartódromo da cidade.
Teve até show com uma banda local para distrair o público, que era intenso
e bem variado, de crianças até idodos curiosos com aquelas máquinas
barulhentas e coloridas. O locutor do evento era um show à parte.
Após a largada promocional lá fomos nós, cerca de 120 pilotos, para o
local da largada técnica. Logo no começo um pequeno acidente entre dois
pilotos que se tocaram numa pequena subida, um deles deslocou o ombro e,
para a surpresa de todos, colocou-o no lugar e continuou na prova.
No começo tudo fácil, canaviais e referência bem próximas. Mas com 15
minutos de prova eu já tinha me perdido, entrei no lugar errado. Não
entendi, pois tinha aferido meu navegador duas vezes para ter certeza
que estava certo e ele me informou uma distância incorreta para uma
entrada à esquerda. Acelerei para tirar a diferença e me diverti muito
andando a até 100-110 km/h naquelas estradas de terra com muita areia.
Em pouco tempo tirei metade do tempo perdido. Uma descida forte, mas não
muito difícil, levou alguns pilotos para o chão. Ali consegui me
recuperar, esqueci os freios e deixei a moto descer.
Depois de algumas estradinhas e algumas trilhas chegamos a uma subida
de pedra, bem técnica, um pouco lisa e bem travada. Eu era o número 68,
acho que do número 35/40 para trás estavam todos parados esperando o
lugar limpar um pouco, algumas motos quebraram deixando o trecho ainda
mais complicado. Ficamos parados quase 30 minutos. Este trecho foi um
dos grandes responsáveis pela grande quantidade de pontos perdidos pelos
pilotos durante a prova.
Passando a subida de pedras mais algumas trilhas e estradas até o neutro
de reabastecimento, quando cheguei no posto vi o estrago que a subida
causou na prova, poucos pilotos com numeração acima de 50 estavam lá.
Ou seja, uns 70 pilotos tinham ficado para trás até aquele momento.
Pela primeira vez contei com apoio nesta prova. Minha esposa Helena,
junto com a Karen, esposa do Pikachu, faziam nosso apoio, e posso
garantir uma coisa, prova com apoio é muito mais gostoso.
De volta à prova, mais estradinhas, mais cana e mais trilhas. A navegação
passou a ser muito importante, pois as referências estavam precisas,
mas bem próximas. Uma outra subida de pedras se tornou um problema com
todos querendo subir ao mesmo tempo - o Dú Sachs gritava para todos: -
Vocês não são companheiros, não? Se ajudem! Ôps... Acelerei forte e
fui embora, como é bom contar com motor e pneus novos.
Logo depois minha planilha se enroscou dentro do roadbook e partiu-se.
O jeito foi continuar mochilando outros pilotos. Numa dessa perdi um
laço e me adiantei 20 minutos, segui um piloto numa DRZ400, mas só
depois descobri que ele era de outra categoria e estava saindo do laço.
Parei, o jeito foi esperar o tempo passar, quando o Pikachu passou por
mim até estranhou, ele tinha largado na minha frente e eu estava 15
minutos na frente dele.
Aproveitei o tempo para curtir o lugar, uma mata fechada com o ar puro.
Depois resolvi avançar mais um pouco para encontrar um outro piloto
perdido que tinha parado mais a frente, e dei de cara com um PC
chegando adiantado, o que me fez perder precisosos pontos. Perdi ali o
3º lugar na prova, mas aproveitei o tempo sobrando pra consertar
a planilha.
Dali até o final eram só estradas onde me diverti muito acelerando forte,
curtindo as curvas e saltando as lombas existentes.
A organização da prova está de parabéns, a planilha estava 100%,
o roteiro muito bom, mas talvez um pouco mais de trilhas e menos estradas
teria sido melhor. A apuração e premiação sairam rapidamente.
Uma outra visão da prova...
por Pikachu
Preocupação. Isso era o que passava pela minha cabeça quase todo o tempo
antes da largada. Afinal de contas, essa seria a minha primeira prova depois
do acidente que sofri em Dezembro/2002 (quando rompi um tendão do ombro),
que me deixou quase 3 meses sem andar de moto. Não sabia se iria aguentar
terminar a prova, pois estava despreparado fisicamente e também não sabia
se meu ombro iria doer demais e me fazer abandonar a prova. Chegando em
Barra Bonita, vimos que o tempo estava muito bom, não havia indícios que
iria chover. Ótimo. Pegamos o material, fomos jantar e arrumar nossas coisas
para a prova no dia seguinte.
A largana foi no kartódromo da cidade e, logo na largada, tomei um susto do
meu navegador, que diparou o segundo trecho ao invés do primeiro. Nada
demais, acho que a "ferrugem" deixa a gente meio apavorado... hehehe A prova
começou com muitas estradinhas de terra, sem dificuldade alguma. Logo chegou
um descidão grande, no meio do mato, para descer por dentro de uma cava.
Ao redor, muito mato, mal dava prá ver o chão. Muitos buracos, já comecei a
sentir o impacto no ombro machucado. Fui descendo com calma, apesar de
tentar não ficar atrasado. Foi aí que "ploft" ! Caiu um cara na minha
frente. Tive que esperar o cara levantar para poder passá-lo. Tome atraso
no PC lá embaixo...
Tocando em frente, mais estradinhas de terra, quase sempre dentro de
canaviais. Aliás, como tem cana naquela terra ! Chegamos na primeira grande
trilha. Um single-track no meio da mata, com direito a muitas "guidõezadas"
nas árvores. No meio da trilha, um enrosco: uma subida um pouco íngreme, mas
com duas pedras no meio dela, estrategicamente colocadas pela natureza para
atrapalhar a vida dos pilotos. Tinha neguinho desesperado ali. A pedra não
deixava você subir de uma vez; vc precisava passar a primeira, virar a moto,
passar andar um pouco e virar de novo para contornar a segunda. Com um
pouco de calma, dá para fazer tudo na boa. Mas o desepero fez um monte de
gente ficar apinhada ali, inclusive no meio do mato, quando tentaram desviar
o caminho. Tive que ajudar um cara de DRZ-400 que estava na minha frente, o
que já me deixou cansado. Aí passei minha moto e segui adiante. O cansaço
já apareceu e me deixou com os braços um pouco fracos. Continuamos pela
trilha por mais algum tempo, a trilha foi bem longa. Saí de lá com quase
15 minutos de atraso...
Pegamos mais estradas, quanto tivemos que descer uma pequena pirambeira (
daquelas que não dá para parar até chegar no fim) e atrerrisamos num rio.
Aí percorremos por dentro dele mesmo. Um rio raso, mas completamente
cheio de pedras. Não andávamos no chão, andávamos o tempo todo sobre as
pedras. Pobre ombro... No caminho, encostei num piloto da Over 40. Putz, o
cara me derrubou. Não de propósito, mas que eu caí, eu caí. Abraço,
Fleury ! hehehe Andamos bastante dentro do rio e sempre atrasado; tinha
que andar rápido sobre as pedras o tempo todo. Doeu... Prá ajudar, não
percebi uma diferença de odômetro e saí do rio no lugar errado e tive que
voltar para trás e pegar o caminho certo. Mais alguns pontinhos...
Depois pegamos mais algumas trilhas, mas nada muito complicado.
O pior foi estar andando numa estradinha de terra e não perceber que a
média baixou muito. Como estava distraído, não ouvi meu Compass apitar
que estava adiantado e acabei tomando 36 pontos de penalidade por isso.
Tá valendo, aprenda a ficar concentrado na prova... hehehe
Cheguei no neutro no tempo e encontrei meu apoio me esperando. Gatorade no
CamelBak, gasolina na moto e pronto para a segunda parte. Eu estava
preocupado com a falta de combustível, pois seriam 78 Km até este neutro,
mas no final das contas até sobrou um pouco de gasolina no tanque... graças
à Deus ! hehehe Logo chegou o Sávio feliz da vida, pois não estava vendo
muitos pilotos da sua categoria por lá e por ter passado muito bem em todos
os enroscos das trilhas. Ótimo !
Saí para a segunda metade da prova com um pouco mais de confiança, pois
estava resistindo bem até ali. A prova seguiu fácil no começo também com
muitas estradinhas de terra. Pegamos algumas trilhas, mas nada muito
pesado. O único enrosco foi uma subida de pedras redondas e soltas. Prá
ajudar, a subida começava à partir de um cotovelo. Se não tivesse ninguém
no meio, era só acelerar e subir no embalo. Só que chegei lá com um monte
de gente enroscada, ninguém ajudando ninguém. Abriu uma brecha e enfiei
minha moto no bolo. Óbvio que ela patinou e não consegui subir. Empurrei
um pouco e o pessoal do Kaipiras chegou e deu uma mãozinha prá todo mundo.
E toma mais uns 7 minutos de atraso...
Entramos em outra trilha, que não era muito pesada, mas que fez
alguns pilotos ficarem travados por inexperiência ou por pressa mesmo.
Encontrei o Arena parado, com a vela queimada. Que vergonha, um piloto
Master andando sem absolutamente nada de ferramentas... hahaha
Dei minha pochete para ele e saí batido, para não perder tempo. Entramos
em alguns laços, mas tudo tranquilo. Aliás, encontrei o Sávio na minha
frente, na saída de um laço. Obvio que ele estava errado, já que sua
numeração era bem maior do que a minha. Gritei prá ele voltar para trás
e entrar no laço, mas não vi o que ele fez. Ainda bem que não parei para
conversar, pois havia um PC a poucos metros dali...
O que judiou nesta prova foi meu ombro, que doía em todas as descidas
com erosões ou pedras que nós pegávamos. Isso estava me atrapalhando
bastante, pois o medo de cair em cima do ombro acaba tirando a
concentração... Mas tudo bem, eu já estava conciente que eu não estava
bem e que o importante era terminar a prova. E foi o que fiz. O final da
prova foram só estradões, com média gostosa para andar, até chegarmos de
volta à cidade.
A apuração foi excepcionalmente rápida, nunca vi nada igual. Parabéns à
organização, esperamos que todas as provas sejam rápidas assim, pois nos
ajudam muito, podendo voltar para casa relativamente cedo...
No final das contas, a surpresa: fiquei em 3º lugar na minha categoria !
Caramba, eu esperava um 8º lugar, isso foi excelente ! O Sávio também se
deu bem e ficou em 5º lugar. Se não tivesse perdido 2 PC, acredito que
estaria entre os 3 primeiros. Um outro amigo do Guarujá também foi bem
na Nacional, levando o troféu de 3º lugar. Parabéns à todos !
Agora é só esperar o Enduro de Botucatu, que serão doi dias de prova em
meio a uma região de muuuuuuuuuitas pedras....
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