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Serra da Canastra (MG) - Que lugar !!!!
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Uma observação sobre a matéria: junto
com o texto, existem vários links para as fotos, já deixando claro sobre o
que a foto se trata. Eu recomendo que você veja as fotos enquanto lê o
texto. Se não puder fazer isso, as fotos também estão disponíveis no modelo antigo... Esta matéria foi
publicada na revista Tribo Off-Road, mas aqui tem mais fotos... hehehe
Antes de tudo, um pouco de
história: a Serra da Canastra recebeu este nome porque se assemelha a
uma espécie de baú, chamado de "canastra". O Parque Estadual da Serra da
Canastra foi criado em 1972 com o intuito de preservar a fauna e a flora
da região, além das nascentes do Rio São Francisco. Hoje, ele tem uma
área de 72 mil hectares. Mas ainda está correndo um processo para o
aumento desta área, pois o projeto inicial do Parque conta com uma área
total de 200 mil hectares. Haja terra! Saímos de
São Paulo - eu e
a Karen - no fnal de outubro de
2003, com uma pickup carregada e as motos na caçamba. Viajamos
aproximadamente 500km durante 7 horas. Isso, com direito a parada de
almoço em Mococa e visita à barragem de Furnas, no pé da serra. A estrada é
muito boa e não tivemos problema algum para chegarmos à São Roque. Saímos
para São Roque de Minas, nosso ponto de partida para as trilhas da Serra
da Canastra. Um amigo de Poços de Caldas tinha falado tanto do lugar que
eu precisava visitá-lo...
Nosso guia de trilha foi o Amarildo, da
Nikimba Motos. Ele é famoso na região. Gente finíssima, conhece muito o
local. Como chegamos numa quarta-feira (mordam-se de inveja), ele não
pode nos levar logo de cara para as trilhas, pois precisava terminar
seu trabalho na oficina. Mas deu indicações de algumas trilhas e pontos
para visitar. Combinamos de pegar uma trilha juntos na sexta-feira, quando
viria um pessoal de Ponte Nova (MG). Andamos fora
do Parque, visitando algumas cachoeiras. Fomos até a Cachoeira do Cerradão e a Cachoeira do Nego. Ambas
podem ser alcançadas de carro, mas de moto é muito mais legal, não é
mesmo? São estradas de terra, com alguns trechos ruins. Pickup vai fácil,
mas carros de passeio devem sofrer um pouco! De um certo
ponto em diante, é necessário caminhar a pé. Mas as trilhas são
fáceis e bem sinalizadas. As cachoeiras são lindas, com uma água
gelada que recompensa a caminhada e refresca
o calor do local. E que calor! Já neste dia eu apronto a
primeira: resolvi ir de moto
até o pé da cachoeira. Com autorização do dono
da fazenda, claro. Mas foi sofrimento, é melhor deixar a moto na metade do
caminho e seguir à pé.... hehehe No dia
seguinte, partimos para a nossa primeira trilha. Segundo o Amarildo,
seria fácil, com poucos pontos complicados. Saímos de São Roque para
conhecer o Poço das Orquídeas e, depois, a parte baixa da Cachoeira
Casca D’Anta, cartão postal da Canastra. Nossa indicação para a
trilha foi a seguinte: “Vá em direção ao Parque. Passou a fazenda,
entre à esquerda. Passou o segundo córrego, vire à direita na
bifurcação. Depois, você passa mais dois córregos e vira à direita
de novo, lá em cima, beirando a cerca. Aí, é só seguir até o Poço.
Na volta, onde você virou à direita, vá para a esquerda até o fim da
trilha. Aí você vai sair numa fazenda. Siga as estradinhas da
fazenda até a estrada principal. Aí você vai passar pela ponte de
madeira e vai para a direita, até São José do Barreiro. De lá, vai
para a Casca D’Anta”. Fácil, né ? GPS na moto, fomos fazer a trilha.
Claro que nos perdemos... hahaha Mas não foi complicado. A trilha é
legal e pode ser feita sem problemas. Mas como tem pedra nessa
terra! Tem mais pedra do que planta! Passamos pelos córregos, subimos o morro, descemos
e chegamos na bifurcação. Muita erosão e
cascalho fino. É preciso tomar cuidado para não escorregar.
Passamos pelos outros dois córregos, rasos e de águas cristalinas, cheio de pedras
no fundo. É só passar com calma que vai tranquilo... Chegamos na
próxima bifurcação e o visual era incrível: a vista da serra nos acompanhando por mais
este pedaço de trilha. Fotos foram inevitáveis. Seguimos pela trilha
e passamos por um pedaço ruim: muitas pedras
soltas, algumas grandes, faziam a gente perder o equilíbrio e
quase comprar algum terreno na Serra... hehehe Era um subidão (na
foto está descendo - mas subimos !), com várias erosões e pedras,
até o topo do morro. Passamos por algumas
vegetações e saímos num grande pasto. Na descida, outra
bifurcação. Xi, essa o guia não nos contou... Mas, como bom
ecoturista, avistei as matas ciliares (vegetações que crescem nas
margens dos rios) para a direita e resolvi descer para conferir.
Dito e feito. Descemos até uma escarpa de
pedra, onde deixamos as motos e descemos a pé pela trilha. Um lago
grande e fundo com uma pequena cachoeira nos aguardava, para
refrescar do calor e nos dar mais energia para continuar pela
trilha. Este era o Poço das
Orquídeas. Nadamos bastante
e tiramos fotos. Prontos para a próxima...Subimos o pasto de volta e seguimos
pela trilha até a bifurcação, para continuarmos pelo outro lado. Daí em
diante, foi morro abaixo, cheio de cascalho fino e erosões. Tinha lugar que
nem dava prá passar direito, de tanto buraco. Legal, né? A trilha terminou
numa porteira com um riacho do outro lado, saindo dentro de uma fazenda.
Aliás, passamos por várias porteiras pelo caminho. Se fizerem esta trilha,
lembrem-se de fechar todas as porteiras que encontraram fechadas, certo?
Procuramos a saída da fazenda e achamos
a estradinha. Perguntamos para o dono da fazenda como ir para o Barreiro.
Muito prestativo, o senhor nos disse: “Óia moço, é só seguir reto nessa
estradim. Não dobre nem para a direita e nem dobre para a esquerda. Siga
sempre em frente...” Legal, parecia fácil. 50 metros adiante tinha uma
bifurcação em “T”. Diabos, qual é a reta? hahaha E seguimos
pela “estradim”, tentando adivinhar onde era a reta e, de vez em
quando, dando de cara com uma porteira. Em quase todo o percurso, a
serra nos acompanhava com um belo visual.
A grandeza das escarpas são um show à parte... Bom, passamos por
várias pontes de madeira e, em cada uma delas, eu pensava: “agora
chegamos na ponte que o guia falou”. Pensei isso umas 5 vezes. Aí
sim, chegamos na tal ponte. Uma baita
ponte! Aliás, essa é a primeira ponte do Rio São Francisco. Ela
deve ter uns 30 metros ou mais de comprimento, não tem como errar.
Naquele momento, eu descobri isso... Pegamos um estradão de terra
até o Barreiro, local de abastecimento das motos e dos pilotos,
claro. Dali fomos para a parte de baixo da Cachoeira Casca D’Anta, dentro do Parque. A entrada é R$3,00 por
pessoa. A trilha a pé também é fácil. Dizem que ela tem 186 metros
de altura. Como é alta! O volume de água é grande, apesar de
estarmos em período de seca. Imagine na época de chuva! Tomamos um
banho no lago formado ao pé
da cachoeira e pegamos o caminho de volta. Como estava
com cara de chuva, voltamos pela estradinha de terra mesmo. 25km e estávamos
em São Roque novamente. Andamos 73km. Voltamos para a pousada e conhecemos
o pessoal de Ponte Nova. Seis caras, gente boa, que aproveitaram o feriado
na sua cidade para curtir a Serra. Eram eles: Fernando, João, Pedro,
Rodrigo, Maurício e Henrique. Quatro Tornados, uma DRZ-400 e uma XR-200.
Bem-humorados, combinamos de fazermos trilha juntos no dia seguinte.
Durante o jantar, descobrimos que os
caras estavam tentando vender uma corrente de moto-serra uns para os outros,
mas não entendi bem o porquê do negócio, até me explicarem a piada.
Infelizmente, não posso contar prá vocês. Mas, se alguém quiser comprar,
é só falar com o pessoal de Ponte Nova! hehehe.. Saímos cedo no dia seguinte, com destino à
Serra da Babilônia. A trilha começou com o mesmo percurso do dia
anterior, com destino ao Barreiro. Erosões, pedras,
cascalho fino... tudo nos acompanho
novamente. Muito divertido ! Lá no barreiro abastecemos as
motos e seguimos para a Serra. Vista maravilhosa. De longe, avistamos a Casca D’Anta. Dá prá entender
porque que esta cachoeira é tão famosa na região... Andamos pela
Serra, passando por vales e morros,
sempre cercados pelo cerrado e muitas
pedras. Passamos por um lugar da Serra da Babilônia onde o guia nos contou
que era a 2ª maior mina de diamantes do mundo! Só que ela foi desativada
por causa da preservação do meio ambiente. Lugar muito bonito... Passamos por
várias trilhas tranquilas até a Cachoeira do Quilombo, tanto na parte de cima, quanto na parte de baixo. Aliás, um dos caras ficou
tão impressionado com a beleza do lugar que resolveu comprar um
pedaço de terra. De terra não, de cachoeira mesmo. O cara levou um escorregão que quase vai parar lá
em baixo! Um susto, mas não aconteceu nada... De lá, continuamos
pela Serra, até a Pousada Babilônia,
onde o pessoal parou para almoçar. Começou a chover e ficamos
por lá até a chuva passar. Conhecemos o Lasinho, investigador de polícia
e um grande contador de causos. Ficamos lá um tempão conversando com ele,
até a chuva passar. Ótima pessoa! Saímos de lá
e fomos até o “seu” Zezico.
É um senhor que possui uma fazenda e tem gasolina para vender para os
trilheiros que se perdem por lá. Só senti por não ter podido ficar mais
tempo conversando, pois ele é uma pessoa muito simpática. Aliás, todo mineiro
é muito simpático. Sempre dispostos a ajudar e a conversar; onde parávamos
alguém sempre nos oferecia um “cafezín” ou um “quejín”... Saindo do
seu Zezico, subimos a Serra Branca de onde, novamente, dava para ver
a Casca d’Anta. Aí era só descida, até passarmos pela entrada do
Parque e voltarmos até o Barreiro. De lá, estradinha até São Roque
de novo, porque tava com cara de mais chuva. Neste dia, andamos
140km com um visual muito bonito! No
sábado, resolvemos passear pelo Parque.
Conhecemos a nascente do Rio São
Francisco, o curral de
pedras, a garagem de pedras, avistamos um tamanduá-bandeira, alguns
veadinhos, gaviões carcarás... Na verdade, dentro do Parque mesmo não há
muita coisa para visitar; as cachoeiras começam dentro dele, mas caem para
fora. Mas tem muita coisa bonita para ver, vale à pena pegar um dia para
visitar o Parque. Vimos a Casca D’Anta por cima. Um espetáculo, como é alto ! Outro lugar que tem que ser
visitado é o “Fundão”, uma cachoeira fora
do Parque, mas que só tem acesso por dentro dele. Uma cachoeira
linda, com um lago e muito sossego. Isso sem contar o seu Antônio,
dono da fazenda, que diz ser um “bobo da fazenda”, mas que tem uma
consciência ecológica muito maior do que muito “esperto da cidade”.
Conversar com ele e comer um queijo
feito lá são coisas obrigatórias... Na volta,
paramos num lugar onde fica a brigada do IBAMA de combate à
incêndios, o PREVFOGO. Lá, o
pessoal fica de plantão se houver alguma emergência. Conseguimos ver um
lobo-guará ali, apesar de não conseguirmos fotografá-lo direito, por causa
da escuridão. Mas já valeu conseguir ver o bicho... Neste dia, andamos
110km. Fiquem atentos para a autonomia, pois não há como abastecer
dentro do Parque. Se precisar, vá com um tanque auxiliar...
Ah, quase esqueço: existem vários
lugares para comer em São Roque de Minas. Nós gostamos muito de um
restaurante chamado Malibú. Mas existem vários outros lugares. Chegou o
domingo, nosso último dia de trilha na Canastra. Aliás, esse era o
dia mais esperado, pois combinamos com o Amarildo de fazer uma
trilha pesada. Saímos cedo e, logo de cara, já entramos na trilha. Tudo novo, não passamos
por nenhum lugar conhecido. Trilha gostosa, com poucas pedras e
muito morro acima e abaixo. Era a Trilha da Gurita. Passamos por algumas fazendas até
chegamos ao Barreiro. Enchemos os tanques e tivemos um pequeno problema:
quebrou o cabo do acelerador da moto da Karen. Que azar! Mas lembrem-se
que, além de guia, o Amarildo também é mecânico. De posse de alicate e
arame, fez uma gambiarra no cabo e conseguimos pôr a moto para funcionar
novamente. Isso é que é um guia polivalente! Estávamos
num lugar chamado Eco da Canastra, rumo a
trilha do Paiolinho. Essa era a trilha casca-grossa. Pegamos muitos lugares
com pedra até chegarmos lá, mas aquele trecho era só pedra! Não dava para ver o chão, só víamos pedras para todos os lados... Para
ajudar, uma pirambeira do lado
direito, vendo a Casca D’Anta mais ao longe. Que lugar legal! Mas não
é mole não. As motos penam para subir e, na maior parte do tempo, não
conseguimos andar normalmente; é um tal de puxa e empurra... São várias
curvas fechadas em subida, onde a gente tinha que parar, realinhar a
moto e continuar subindo. Foram dois
trechos bem feios, depois acalmava e ficavam “menos” ruins...
Chegamos no Chapadão da Babilônia
novamente. Só que, desta vez, subimos pela frente. Andando pela Serra, entramos na fazenda dos
pais do Amarildo, onde encontramos outro tamanduá-bandeira, que nos proporcionou muitas risadas. Imagine um
trilheiro correndo atrás do bicho tentando fotografá-lo, de bota,
capacete, colete e afins... o tamanduá deve ter pensando que algum
E.T. tinha invadido a Canastra! hahahaha Descemos a
serra e voltamos para o Barreiro. De novo a estrada até São Roque. A
esta altura, você deve estar pensando: por que o cara não ficou de
vez no Barreiro ? Por que fizemos esta viagem pensando nos
trilheiros e na sua família. São Roque tem uma estrutura melhor de
pousadas e a visitação de lugares é mais perto para quem vai de
carro. A cidade fica a apenas 6km da entrada do Parque. Sem dúvida,
é a melhor relação custo-benefício para o trilheiro e sua família.
Isso sem contar que o Amarildo está lá !
De volta à São Roque, resolvemos
jantar em outra cidade, Vargem Bonita. A convite do Amarildo, fomos
jantar numa pizzaria dentro de uma fazenda. Lugar excelente, com
uma ótima pizza. E olha que paulista entende de pizza... Chegou a
hora da volta, infelizmente. Passamos uma semana muito agradável na
região, que possui muito mais atrações do que pudemos visitar.
Venham conhecer a Canastra, vocês não irão se arrepender.
Gostaríamos de agradecer ao Sr. Barcelos, ao Bruno e ao Iran da Pousada Barcelos, ao Amarildo (nosso guia) da Nikimba Motos e ao
pessoal do IBAMA, que nos deu várias informações sobre a Canastra.
Vocês fizeram nosso passeio valer cada minuto !
Se quiser ver todas as fotos de
uma vez, clique aqui
!
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